Turismo estético e planejamento: o que ninguém conta antes de viajar para um procedimento

 

Viajar para realizar procedimentos estéticos se tornou uma tendência crescente no Brasil e no exterior. Seja pela busca de profissionais especializados, valores mais atrativos ou agendas mais rápidas, o chamado turismo estético exige um nível de planejamento que vai muito além da escolha do destino, algo que nem sempre é considerado pelos pacientes


De acordo com a Dra. Ilana Lima de Sá, cirurgiã plástica, o maior erro está em tratar a cirurgia como um compromisso pontual, quando, na verdade, ela envolve um processo completo que começa antes da viagem e se estende muito depois do retorno para casa. “A cirurgia é apenas uma etapa. O sucesso do procedimento depende de preparo físico, emocional e de uma logística bem estruturada”, alerta.


Entre os pontos que merecem atenção está o tempo ideal de estadia. Viagens muito curtas podem comprometer o acompanhamento pós-operatório imediato. “O paciente precisa permanecer após o procedimento cirúrgico tempo suficiente para avaliações, retirada de pontos, prevenção de intercorrências e orientações presenciais”, explica a cirurgiã especialista.


Outro item fundamental do checklist são os exames pré-operatórios, que devem ser realizados com antecedência e analisados cuidadosamente pelo cirurgião. “É mais seguro adiantar exames e consultas previamente em caráter on-line, por meio da telemedicina, e revalidar a avaliação médica presencialmente quando o paciente chegar a Salvador”, destaca a Dra. Ilana.


O preparo físico e emocional também é decisivo. Segundo a cirurgiã plástica, viagens associadas a grandes expectativas estéticas podem gerar ansiedade e frustração quando não há alinhamento realista sobre resultados e limitações. “É essencial que o paciente esteja emocionalmente preparado e bem informado sobre o pós-operatório, que inclui alguns desconfortos habituais de uma intervenção cirúrgica, como inchaço, restrições e tempo de recuperação”, afirma.


A logística da viagem é outro fator frequentemente subestimado. Hospedagem adequada, transporte confortável, cuidados de enfermagem e acesso rápido a atendimento médico fazem parte do planejamento. “Não é o momento de improvisar. Cada detalhe influencia diretamente na segurança e no conforto do paciente”, pontua.


Por fim, a recuperação deve ser encarada como prioridade absoluta, tão importante quanto o procedimento cirúrgico. Retornos precipitados, longos deslocamentos ou retomada precoce da rotina podem comprometer os resultados e aumentar riscos. “Cirurgia plástica não combina com pressa. Planejar bem é a melhor forma de cuidar da saúde e do próprio resultado estético”, conclui a Dra. Ilana Lima de Sá.

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