Brasileiras gastam mais em skincare e erram mais: especialista baiana explica o por quê

 

O setor de beleza e higiene pessoal no Brasil deve movimentar R$ 242,3 bilhões em 2025, um crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior — e o skincare lidera esse avanço. Só no segmento premium, o crescimento foi de 18% em valor no primeiro semestre de 2024, segundo dados da Circana. Mas para a especialista em harmonização orofacial, análise facial e tratamentos de pele com ativos terapêuticos Dra. Elisa Marchesini, o paradoxo é inquietante: nunca as brasileiras gastaram tanto com a pele — e nunca se viu tanta pele irritada, barreira cutânea comprometida e rotina que faz mais mal do que bem. Beauty FairInveste SP


 "A mulher brasileira nunca teve acesso a tantos ativos, tantas marcas, tanta informação. E ao mesmo tempo, nunca vi tanto erro de rotina no consultório. Pele ressecada por excesso de ácido, oleosidade aumentada por falta de hidratação, sensibilidade gerada pelo próprio produto que deveria tratar", afirma Marchesini, que há 22 anos atua em estética facial em Salvador.


A especialista é direta: "A indústria lucra com a sua confusão. Quanto mais camadas ela vende, mais você compra. O problema é que a sua pele paga o preço." O erro mais comum — e o mais caro, segundo a profissional, o principal equívoco está em desconhecer a barreira cutânea — a camada protetora responsável por reter hidratação e bloquear agressores externos. Quando essa barreira é comprometida por excesso de esfoliação, sabonetes agressivos ou combinações incorretas de ativos, a pele entra em colapso: resseca, inflama e produz mais óleo como mecanismo de defesa. "A mulher percebe a pele oleosa e compra mais produto secativo. A pele piora. Ela compra mais. É um ciclo que o consultório vê todo dia", explica.


Um caso recorrente na sua prática ilustra bem o problema: pacientes que chegam com sete, oito produtos na rotina, pele sensibilizada e sem resultado — e saem com três produtos bem escolhidos e pele recuperada em semanas. "Menos, quando é certo, sempre funciona mais." Informação sem orientação é ruído. A democratização do acesso à informação sobre skincare — impulsionada por redes sociais e influenciadores — trouxe benefícios, mas também uma avalanche de conteúdo descontextualizado.


 Segundo pesquisa da Kantar, as brasileiras gastam em média R$ 237 por ano com produtos de beleza e cuidados com a pele, adquirindo em média 11 produtos por ano. Grande parte desse consumo, segundo Marchesini, acontece sem critério de tipo de pele, fase da vida ou combinação segura de ativos. Shopify "Retinol com ácido na mesma noite. Vitamina C com esfoliante. São combinações que irritam qualquer pele, independente da qualidade do produto. O problema não é o ativo — é a falta de lógica na aplicação."


A especialista defende que o ponto de partida não é o produto, mas o autoconhecimento da pele: compreender seu nível de hidratação, sensibilidade, tendência à pigmentação e à perda de firmeza antes de montar qualquer rotina. "Skincare sem autoconhecimento é só consumo. E consumo sem resultado é dinheiro jogado fora."


 *Sobre Dra. Elisa Marchesini* 


Fisioterapeuta, biomédica e cirurgiã-dentista, Dra. Elisa Marchesini é especialista em harmonização orofacial, análise facial e tratamentos de pele com ativos terapêuticos, e criadora do Método Faces que Inspiram — Posicionamento Facial Estratégico. Há 22 anos atua em Salvador, Bahia, integrando técnica, ciência e individualidade em cada planejamento.

Instagram: @draelisamarchesini

Site: www.facesqueinspiram.com.br

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